Deputado federal Mendes Ribeiro Filho afirma que quer aprender com o ex-ministro Wagner RossiA confirmação do deputado federal Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS) como novo ministro da Agricultura foi considerada positiva pelas entidades ligadas ao setor primário no Rio Grande do Sul. A expectativa dos dirigentes é que a nomeação de um gaúcho para o cargo, algo que não ocorria desde a gestão de Marcus Vinícius Pratini de Moraes, durante o segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, deverá facilitar o trânsito das demandas estaduais do setor junto à União.
De acordo com o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, a presidente Dilma Rousseff foi exitosa quando aceitou a sugestão da indicação de Mendes Ribeiro, feita pelo vice-presidente Michel Temer. "O Rio Grande do Sul a pleno estará apoiando o deputado Mendes Ribeiro Filho no desempenho do ministério", salientou. Segundo Sperotto, a entidade estará ao lado do novo ministro e apostando nas escolhas para cargos na pasta.
Na quarta-feira, Sperotto, que estava em Brasília, foi ao gabinete de Mendes Ribeiro Filho levar cumprimentos pela atuação na liderança do governo na Câmara. "Nosso apoio não é oportunista", reiterou o dirigente. Ele também ressaltou que Wagner Rossi, que pediu demissão do cargo após uma série de denúncias envolvendo o ministério e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), fez um bom trabalho enquanto esteve à frente da pasta.
O presidente da Farsul acrescentou que a crise política no ministério não deve ser "puxada" para o setor. “O Ministério da Agricultura tem orçamento pequeno, e onde circula tão pouco dinheiro é difícil desviar”, sentenciou Sperotto. Ele defendeu a permanência de José Carlos Vaz na Secretaria de Política Agrícola e garantiu que o clima da Expointer ganha força positiva, com a promessa da presença do novo ministro.
Para Elton Weber, presidente da Fetag-RS, a indicação do deputado também deve contribuir para o diálogo dos pequenos produtores rurais com o governo federal. "Sendo gaúcho, ele tem conhecimento de várias questões específicas nossas. Além disso, em vários momentos o novo ministro esteve envolvido em discussões relacionadas à agricultura, como a crise do arroz", lembrou.
Segundo Weber, embora a maior parte das políticas para os agricultores familiares hoje esteja a cargo do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), os pequenos produtores ainda dependem de negociações importantes com a pasta da Agricultura, como na questão dos preços mínimos. O presidente da Fetag-RS afirmou que, em breve, a entidade deverá marcar uma audiência com o novo ministro, a fim de discutir os problemas do setor.
O presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), Rui Polidoro, salientou que, além de "conterrâneo", Ribeiro é conhecido das instituições gaúchas, tendo ocupado as secretarias de Justiça, Obras e Casa Civil no Estado. "Ele tem larga experiência administrativa", declarou. Para Polidoro, o agronegócio tem nas câmaras setoriais o espaço para apresentar e debater as principais questões que envolvem a atividade.
"As 31 câmaras são uma inovação da gestão de Roberto Rodrigues e seguramente o novo ministro vai mantê-las”, disse Polidoro. “Convivi com ele em duas legislaturas, primeiro como deputado estadual e depois como deputado federal. Sempre foi muito aberto ao diálogo e preocupado em acertar", destacou o presidente-executivo da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra. O dirigente deve se reunir na terça-feira, em Brasília, com o ministro.
Fonte: Jornal do Comércio