Assim que for empossado ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho terá em sua estreia a tarefa de administrar a peregrinação de representantes do setor agropecuário do Rio Grande do Sul à Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Lideranças de pequenos e grandes produtores já se organizam para levar suas prioridades ao conhecimento do novo ministro na próxima semana, quando deve ocorrer a posse.
O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, citou o embargo da Rússia e a crise da lavoura orizícola como temas que necessitam de atenção especial. Além disso, a busca de um modelo ideal para o seguro rural e a ampliação da rede de armazenagem no Estado seguem como prioridades. Sperotto, que cogita homenagear Mendes Ribeiro na Expointer, afirmou que a Farsul estará ao lado do novo ministro. "Ele vai contar com todo o nosso apoio."
Controle de importações, continuidade de programas da Conab como o PAA, solução para o endividamento agrícola e agilidade no Suasa são alguns dos ítens prioritários elencados pelo presidente da Fetag, Elton Weber, a serem encaminhados ao novo ministro. De acordo com Weber, apesar de Mendes Ribeiro não ser do meio rural, o perfil articulador, os cinco mandatos como deputado federal e a proximidade com Dilma são alguns dos pontos positivos.
O superintendente do Ministério da Agricultura no RS, Francisco Signor, sugere que o novo ministro concentre esforços na recuperação do mercado russo e que trabalhe a questão sanitária. Outra necessidade, segundo ele, é acompanhar de perto a aplicação de recursos do Plano Safra 2011/2012, além de viabilizar o barateamento de insumos para que as cadeias produtivas suína e avícola não percam produtividade.
Garantindo presença na posse, o presidente da Federarroz, Renato Rocha, afirmou que vai entregar um documento sucinto com demandas emergenciais e estruturais, como a questão do endividamento. "Acredito que o Mendes como ministro vai facilitar o diálogo e o avanço de soluções para o arroz. Ele é um dos Homens do Arroz, que foi homenageado na 20 edição da Abertura da Colheita e sabe das dificuldades que o produtor enfrenta."
Seguro e revisão de dívidas são prioridadesCom pleitos bem claros e definidos, os produtores do Rio Grande do Sul sabem exatamente o destino a dar aos mesmos a partir de agora: 8º andar do Ministério da Agricultura, em Brasília. Do gabinete que irá ocupar, o gaúcho Mendes Ribeiro Filho comandará a política agrícola que impacta diretamente em quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e deverá ganhar aval para demitir quem quiser.
Apostando no diálogo e na identidade com a realidade do Rio Grande, os segmentos irão reivindicar seguro agrícola para a safra, mecanismos de comercialização da produção, repactuação das dívidas e redução de custos (veja quadro na página ao lado).
Ainda na manhã do dia em que fora convidado a assumir a pasta, Mendes Ribeiro já se encontrava com representantes do setor. Como líder do governo no Congresso, teve uma reunião com o presidente da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto (veja ao lado).
Até então distante dos pleitos do campo, o deputado federal assume a pasta com o desafio de aprender a lidar com a robustez e a delicadeza da agricultura brasileira. A pouca experiência na área, no entanto, é compensada por quase 30 anos de vida pública.
– Esperamos bastante dele. O fato de ser daqui vai facilitar que nossos pleitos sejam ouvidos – disse o presidente da Cotrijuí, Carlos Domingos Poletto.
Mesmo para quem não tem ligações com o Estado, a indicação de Mendes é respaldada com confiança e respeito. Presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), disse ontem que o novo ministro pode vir a ser um “importante interlocutor” do governo na estruturação de uma política agrícola mais moderna. Receoso quanto à pouca proximidade de Mendes com o setor, o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho, acredita que o desempenho de Mendes dependerá da montagem da equipe técnica.
–Esperamos que ele escolha bons técnicos para assessorá-lo – recomendou.