A área plantada de sorgo no Estado é insipiente, comparada à plantação de soja (815 mil hectares) e milho (250 mil hectares). São apenas três mil hectares da cultura, mas, como toda oleaginosa, possui um futuro promissor com a chegada das indústrias de biocombustíveis na região, conforme comenta o engenheiro agrônomo da Emater RS/Ascar Regional Passo Fundo, Cláudio Dóro. “Será uma ótima opção de mercado para o agricultor, uma vez que para ser usado como ração animal o sorgo perde nutricionalmente para o milho, além de que o preço está em 80% da cotação do grão”, afirma ele, acrescentando que a área destinada ao sorgo tende a aumentar nos próximos anos.
A cultura do sorgo é bastante antiga e é comumente utilizada quando ocorrem problemas climáticos que afetam as lavouras de soja e milho. “Se a plantação é acometida por uma chuva de granizo em dezembro, por exemplo, se torna muito tardio plantar novamente estas espécies e o sorgo desponta como alternativa, pois seu ciclo é mais longo e pode ser plantado até janeiro”, explica.
O potencial produtivo do sorgo também incentiva a sua produção, mas a cultura é bastante exigente quanto às condições climáticas. Dóro aponta que devido ao fato de que nos meses de novembro e dezembro, quando a espécie é plantada, as temperaturas são muito altas, assim como a evapotranspiração, e por isso o sorgo precisa de um tempo úmido para se desenvolver com potencialidade.
Além disso, a cultura proporciona uma ótima cobertura do solo, deixando uma boa palhada para a plantação das culturas de inverno, seja canola, trigo, aveia ou cevada, servindo também para a rotação de cultura e diversificação de espécies. E a consequente deterioração da palha se transforma em matéria orgânica que vai auxiliar diretamente nas culturas posteriores, tanto de inverno como de verão.
O ciclo da planta ocorre entre 120 a 150 dias, segundo esclarece Dóro, dependendo de cada cultivar. Para o processo de colheita podem ser usadas máquinas normais que colhem milho, sendo que a semeadura pode ser feita com plantadeiras de soja ou milho.
Fonte: Diário da Manhã