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Até 2050 o mundo deverá dobrar a produção

Até 2050 o mundo deverá dobrar a produção A informação é da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O avanço nessa área acontece em um momento crucial. Desde o ano passado, o tema da segurança alimentar voltou à agenda internacional, com a crise provocada pela alta dos alimentos. "Depois de os preços virem caindo desde os anos 70, a partir de 2005 subiram rapidamente. De todos os países do mundo, o Brasil foi o que mais ocupou o espaço aberto por esse aumento de preços e pela possibilidade de aumentar suas exportações", disse à BBC Brasil o representante regional da FAO, José Graziano. Nesta safra, o Brasil deverá colher mais de 135 milhões de toneladas de grãos, o que representa cerca de 6% da produção mundial, estimada em 2,2 bilhões de toneladas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O país já figura entre os líderes em algumas das principais culturas. É o segundo maior produtor de soja (atrás dos Estados Unidos) e o terceiro de milho (depois de Estados Unidos e China). É destaque ainda em uma gama de produtos, de café e carnes a frutas e etanol. No entanto, diferentemente de outros líderes nesse setor, que já chegaram a seu limite de área e produtividade, o Brasil ainda tem muito a avançar, segundo analistas. "O Brasil está perfeitamente habilitado a, nos próximos 10 anos, chegar a 300 milhões de toneladas", diz o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. "A demanda por produtos agrícolas vai crescer bastante nos próximos anos", diz Rodrigues. "E poucos países têm condições de atender a essa demanda como o Brasil."
Terra Os cálculos dos analistas sobre o volume de terras agricultáveis disponíveis no Brasil variam de 60 milhões a 200 milhões de hectares. "O Brasil tem terras disponíveis em uma escala que nenhum outro país tem hoje", diz o representante regional da FAO, José Graziano, que já foi ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome no primeiro governo de Lula. Segundo o governo e diversos especialistas, as terras inseridas nessas estimativas não incluem regiões de florestas ou de reservas, e são formadas principalmente por pastagens degradadas, que podem ser reaproveitadas para agricultura, e áreas nativas a serem abertas. "O Brasil tem 176 milhões de hectares de pastagens plantadas e outro tanto de pastagens naturais, que é difícil medir. Somando dá alguma coisa em torno de 200 milhões de hectares", diz Rodrigues. Ambientalistas contestam a afirmação de que as terras agricultáveis não incluem florestas ou reservas e alertam para os impactos que a expansão da agricultura tem sobre o meio ambiente, como degradar rios e colocar espécies animais em risco. Mas apesar das divergências, o fato é que esse potencial de terras ainda inexploradas coloca o Brasil em uma posição de destaque em relação aos outros grandes emergentes do grupo BRIC. Outro ponto a favor do Brasil é a tecnologia para agricultura tropical, considerada por especialistas a mais avançada do mundo. Nas últimas décadas, pesquisadores brasileiros conseguiram, entre outras conquistas, adaptar variedades antes produtivas somente em regiões temperadas às condições de solo e clima do cerrado, o que fez o Brasil despontar como grande produtor agropecuário.

O domínio dessa tecnologia e o melhoramento de sementes ampliaram as fronteiras agrícolas do Brasil e transformaram regiões antes consideradas improdutivas, como o sul do Maranhão, em importantes pólos de produção. Além disso, a tecnologia também permitiu aumentar o rendimento por hectare. Com isso, a produção brasileira deu um salto sem tanta necessidade de expansão de área. Em 1981, segundo dados do IBGE, o Brasil plantou 37,4 milhões de hectares e colheu 51,1 milhões de toneladas de grãos. Na safra 2008/2009, a área foi de 47,4 milhões de hectares. "Nos últimos 15 anos, a área plantada com grãos no país cresceu 27%, e a produção aumentou 142%", afirma Roberto Rodrigues. "Pura tecnologia."

Fonte: www.portaldoagronegocio.com.br